I need something to pick me up
I've tried but nothing is working
I won't stop, I won't say I've had enough

by Breaking Benjamin
O que há em mim é sobretudo cansaçoO que há em mim é sobretudo cansaço.
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço...
by Álvaro de Campos
Se pegar no dicionário e procurar esta palavra – viagem – podemos compreender que é uma jornada, ir de um sítio para o outro. Mas existem muitos tipos de viagem. Ir de férias, em trabalho, curiosidade… mas aquela de que vou falar é um tipo muito diferente. É viagem no sinónimo de procura, de busca de algo.
Caminho por estas ruas vazias, desprovidas de alma. Os meus passos ecoam nas paredes, o único som da cidade. Pelo menos para mim.
Olho em redor e não vejo cores. Vejo variações de negro, branco e cinza. Há quem passe por mim a rir-se e a transbordar de alegria. Mas isso é no mundo delas. Para mim, não passam de sombras e de sujeitos sem personalidade. Apenas lhe tenho indiferença. A única coisa que sinto em relação a elas, é o desejo que não me importunem.
Tenho os meus próprios problemas. Corroem-me por dentro. A minha mente é o meu pior inimigo. Culpa-me, acusa-me, destrói-me. Pega em tudo o que tenha um sinal de felicidade e atira-o para o vácuo. Faz-me desejar ser oca, pois ficar apenas com os maus pensamentos é ainda pior que ser um nada.
Desejo desaparecer da face do mapa. Quedar-me deste mundo que já não precisa de mim para nada. Sou apenas um parasita desprezível, inútil. Uma mancha no quadro belo que idealizam. Ponho ao descoberto os piores defeitos dele e sofro por isso. Sofro porque sou diferente. Porque me atrevo a berrar ao mundo que nem tudo é perfeito. Porque sei o que é sofrer e cresço com isso. Porque luto contra esta paralisia, contra esta apatia, letargia. Porque SONHO.
Viro as costas para este mundo que não me quer, pois ele já há muito que me abandonou. Continuo por estas ruas repletas de sombras. Que estendem as suas garras para me apanhar. Que eu ignoro.
Caminho por estas ruas vazias, acompanhada. Acompanhada pela solidão. Que pelo que vejo, até é boa companhia.
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