Tonight my head is spinning
I need something to pick me up
I've tried but nothing is working
I won't stop, I won't say I've had enough



Here I stand, helpless and left for dead
Close your eyes, so many days go by
Easy to find what's wrong
Harder to find what's right

I believe in you
I can show you that I can see right through
All your empty lies, I won't stay long
In this world so wrong

Say goodbye,
As we dance with the devil tonight
Don't you dare look at him in the eye
As we dance with the devil tonight

Trembling,
Crawling across my skin
Feeding your cold, dead eyes
Stealing the life of mine

by Breaking Benjamin


I wake up, screaming inside... And that's when I realise that I hadn't fallen asleep yet.
O que há em mim é sobretudo cansaço

O que há em mim é sobretudo cansaço.
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço...


by Álvaro de Campos




P.S.: Vou fazer mudanças no blog. A partir de agora não serão apenas textos meus. Verão quotes, músicas, poemas como este. E também videos, ou simples imagens. Mas também textos da minha autoria.
Não.

Quem me dera ter coragem para dizer essa pequena palavra. Para me levantar e mostrar a minha opinião. Para gritar aos quatros ventos a minha recusa. Para deitar fora esta letargia que me impede de mostrar a minha insatisfação.

Porque não vivo nem desisto. Não sonho nem aproveito. Deslizo neste limbo sem emoções, que me suga tudo.

Mas abraço-o. Sento-me com ele, satisfeita, pois mais vale tê-lo como companheiro do que deixar a minha mente rebelde deambular, aventurando-se por campos de depressão, de sombras, de terror. Porque a minha mente quer gritar “não!” e eu não a deixo. Não a deixo porque sei as consequências. Seriam estas a mesma coisa que me atirar para um poço sem fim, de trevas, brumas. Portanto, enquanto apenas estiver no grande plano de escuridão que antecede ao poço, dou-me por satisfeita.

Porque não gosto do que ouço, do que me dizem. Do que me tentam impingir, das mudanças que me tentam fazer. E enquanto me agarro a mim, ao que sou, vou-me perdendo, escapando pelas aberturas, ficando vazia.

Relembro tempos melhores. Tempos de felicidade, de correr pelos campos com um sorriso enorme colado na cara, enquanto gritava de alegria. Agora restam-me os gritos de agonia, e as cores de antigamente desvanecem-se para cinzentos e trevas. Já não me lembro do que é sorrir com satisfação. Não o faço, não tento dar cor ao mundo, porque se o fizer vou-me desiludir. Não é o lugar perfeito que nos prometem. É um lugar cheio de mentiras e desilusões.

Porque eu não o quero. Porque o odeio, porque o renego. Mas a culpa é dele, pois fez-me o mesmo a mim.

Aponta-me o dedo e acusa-me de diferença. Acusa-me de rebeldia e ousadia, de optar por caminhos diferentes. Pois eu caminho ao contrário dos outros, como se nada fosse. Opto pelas escolhas erradas. O meu certo é o errado deles. E por isso eles castigam-me. Fazem-me sofrer pela diferença, e pontapeiam-me para o canto. E lá fico, tendo por companhia os meus demónios, os meus medos, a solidão. Mas tudo isso se desvanece, escorre para o limbo em que a minha vida se torna.

Porque não consigo dizer não. Porque essa palavra me corroeu por dentro e me levou tudo. É tudo o que me resta mas não a digo. Porque não posso, não quero, não faço.

Pois se berro, sofro. Pois se choro, sofro. Pois se faço alguma coisa, sofro. Mas se ficar parada, no meu mundo de cinzentos e sombras que me abraçam… não.



Se pegar no dicionário e procurar esta palavra – viagem – podemos compreender que é uma jornada, ir de um sítio para o outro. Mas existem muitos tipos de viagem. Ir de férias, em trabalho, curiosidade… mas aquela de que vou falar é um tipo muito diferente. É viagem no sinónimo de procura, de busca de algo.


Sinto que a vida é mesmo isso. Uma eterna demanda por algo incerto, que podemos nunca chegar a alcançar. Somos como que crianças sentadas num barco, enquanto navegamos num mar, rodeadas de nevoeiro. Ignorantes sobre o que nos circunda, sobre o nosso destino. Por vezes parece que o nevoeiro fica mais fino, que se consegue ver uma luz ao fundo… mas isso não passa de uma ilusão. Na minha opinião, o nevoeiro nunca de lá sairá.

Por vezes temos direcções, que nos são dadas por outros companheiros que por nós passam, de barco. Por mais ou menos tempo que estejam ao nosso lado, irão marcar-nos, marca tal que nos ajudará a tomar uma decisão, uma mudança de sentido no nevoeiro que parece todo igual. Há inclusive aqueles que, por nos marcarem tanto, ficarão sempre presentes, uma ilusão etérea que paira connosco. Será por causa dessas ilusões especiais que o nosso sulcar nas águas terá algum significado. No entanto, por mais mãos que nos estendam, nem sempre temos de as aceitar. Somos nós que estamos no barco, somos nós que decidimos.

Mas, se esta viagem é assim tão incerta… como saber para onde navegar? Como não temer o desconhecido que se apresenta à nossa frente, frio e assustador? Com a noção que temos sempre de continuar… um passo de cada vez… uma remada de cada vez. Avançar de cabeça erguida e olhos fixos no horizonte.

Então eu pergunto-me… pois está no meu direito fazê-lo. Assim que começamos esta viagem ganhamos esse direito, de sempre questionar:

Que fazer quando os remos se perdem na água? Que fazer quando o barco, aquilo que nos sustêm, se enche de furos e se começa a afundar? E quando o nevoeiro é tão grosso que nos esconde da luz e nos dá vontade de saltar do barco?

Bem, por vezes não há palavras nem respostas suficientes para nos ajudar nestas situações. Tudo o que nos dizem parece absurdo, impossível de realizar, de alcançar. No entanto, não é bem assim.

Lembram-se das figuras que nos acompanham sempre? Bem, elas são uma parte essencial para recuperarmos os remos. Mesmo que não nos lembremos, ou que tentemos esquecer isso, elas estarão sempre lá. Irão pegar nos remos e devolver-nos, para podermos continuar a nossa viagem.

Se o barco se começar a desfazer… porque não concertar isso? Nós somos o seu senhor, temos a capacidade de o comandar. Temos também então a capacidade de o consertar, por mais erros que tenhamos cometido. Erros esses que se reflectem nos tais buracos. Por mais impossível que nos pareça, podemos tapá-los. Pode ser com uma mão, com algo rebuscado que nos apareça… mas temos de começar por algum lado. No fim, sem repararmos, o barco está de novo seguro. Mas temos de pelo menos tentar. Nunca se pode desistir, há quem diga.

E a vontade de nos atirarmos à água? Não é o mesmo que dizer que queremos desistir? Porquê optar por um caminho tão fácil, quando novos desafios nos esperam? A viagem é difícil, mas é isso que a torna valiosa e importante. Ficar a meio do caminho seria um sinal de fraqueza… no entanto apelativo. Mas são esses os apelos que temos de ignorar, pois temos alguém que espera algo de nós, que conta connosco para continuarmos.

Podemos ainda dizer que esta viagem é-nos imposta a todos. É obrigatória, e talvez por isso se torne desinteressante. Mas cabe-nos a nós mudar isso. Estabelecer um destino. Embora duas direcções pareçam a mesma, serão sempre diferentes. Temos de aproveitar os companheiros de viagem, os momentos que eles nos proporcionam. Ser corajoso e experimentar os rápidos, as cascatas, em vez da água monótona. Podemos até arrepender-nos de o ter feito… mas não é isso que nos ensina a não cometer esse erro de novo? É preferível uma vida certa, sem nenhum ressentimento, ou uma em que, embora tenhámos errado, aprendemos com isso?

É sempre bom ter uma missão para onde navegar… um objectivo. Mas no fim, é sempre a viagem que importa, e não o momento de chegada.

Agora deixo-vos para pensarem nestas palavras, que talvez vos façam ver esta viagem de outra maneira, talvez não. Eu continuarei a minha, uma eterna busca… uma aprendizagem perpétua… uma viagem sem fim. Talvez valha a pena, talvez não. Quem sabe.
Mais uma vez repito que os posts não são sobre mim! O narrador não sou eu, e as emoções descritas não são necessariamente as minhas.

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Caminho por estas ruas vazias, desprovidas de alma. Os meus passos ecoam nas paredes, o único som da cidade. Pelo menos para mim.

Olho em redor e não vejo cores. Vejo variações de negro, branco e cinza. Há quem passe por mim a rir-se e a transbordar de alegria. Mas isso é no mundo delas. Para mim, não passam de sombras e de sujeitos sem personalidade. Apenas lhe tenho indiferença. A única coisa que sinto em relação a elas, é o desejo que não me importunem.

Tenho os meus próprios problemas. Corroem-me por dentro. A minha mente é o meu pior inimigo. Culpa-me, acusa-me, destrói-me. Pega em tudo o que tenha um sinal de felicidade e atira-o para o vácuo. Faz-me desejar ser oca, pois ficar apenas com os maus pensamentos é ainda pior que ser um nada.

Desejo desaparecer da face do mapa. Quedar-me deste mundo que já não precisa de mim para nada. Sou apenas um parasita desprezível, inútil. Uma mancha no quadro belo que idealizam. Ponho ao descoberto os piores defeitos dele e sofro por isso. Sofro porque sou diferente. Porque me atrevo a berrar ao mundo que nem tudo é perfeito. Porque sei o que é sofrer e cresço com isso. Porque luto contra esta paralisia, contra esta apatia, letargia. Porque SONHO.

Viro as costas para este mundo que não me quer, pois ele já há muito que me abandonou. Continuo por estas ruas repletas de sombras. Que estendem as suas garras para me apanhar. Que eu ignoro.

Caminho por estas ruas vazias, acompanhada. Acompanhada pela solidão. Que pelo que vejo, até é boa companhia.